sexta-feira, 12 de abril de 2013

As pedras de Minas I





No meio do caminho tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
...


Ouro, ferro, diamante,  morte, sangue, dor, gritos implodidos. Cada gesto fica gravado na história, o presente carrega suas marcas.Por entre as pedras havia homens, homens brutos, sedentos de poder e majestade.No meio das pedras escorre o sangue dos justos e injustos. Pedras lapidadas carregam a miséria dos garimpos...Brutalidade e ranger de dentes, trevas e desesperoRicos e pobres, ferindo as rochas, mas muito mais, enterrando almas, sucumbindo corações.Trevas, e ranger de dentes. 
 

Vasto mundo



"Mundo mundo vasto mundo
se eu me chamasse Raimundo
seria uma rima, não seria uma solução.
Mundo mundo vasto mundo,
mais vasto é meu coração..."
Carlos Drummond de Andrade
 As razões do amor são inversas, desproporcionais, ilógicas, fogem ao instinto de sobrevivência e no entanto é o único que traz à vida . Parece  insano, mas é perfeito. Sendo assim, sejamos insanos, este insano que ama sem razões, que é feliz sem o porquê de ser. Que é  dor para se encontrar alegre. A verdade é paradoxal. Pretender conhecer não leva à experiência, experimentar traz a verdade. Experimente Deus,  Senhor do amor. Deixe-se queimar, inundar-se, de Deus, de amor.  
Somos nós quem fazemos o mundo. 


terça-feira, 9 de abril de 2013

O sistema: Corrupção

De acordo com minhas análises atuais o sistema- poder judiciário, executivo  de maneira geral parece funcionar da seguinte maneira:
Em primeiro lugar: o mais importante são os interesses pessoais e não coletivos, os coletivos são importantes quando afetam os interesses pessoais. Interesses pessoais que se traduzem em poder, que sempre envolve dinheiro, isso junto é igual a :  impunidade, logo, injustiça.
Pessoas boas existem, lutam e dão seu sangue pela justiça, às vezes conseguem, as vezes não, mas a regra geral é que elas precisam lutar, dar o sangue.
Um monte de gente é um simples funcionário, faz o que precisa para viver... e eu não concordo com isso.
No final, a solução para quem é injustiçado é contar com Deus, e não com os homens, quando tantas vezes nos encontramos sem recursos para conseguir nossos direitos. Assim vive boa parte dos brasileiros.
Com impostos exorbitantes, o governo rouba a população, quando não lhe devolve em saúde, educação, segurança. lazer, habitação, transporte, e tantos outros direitos com a qualidade devida.
Valores fixos para multas, não importa a condição do infrator, quer dizer o rico paga muito menos do que o pobre por suas infraçõesse formos calcular em porcentagem sobre seus salários. E falando nisso salários altíssimos para uns e baixíssimos para outros... muitas injustiças, muita corrupção, muita omissão.
Cada ato é gravado na história e influencia gerações.
Enfim, deixo aqui uma homenagem aos corajosos, que dão seu sangue, pela retidão, pelo que é correto, pelo que é direito de todos:




Fala aos corações covardes


Fala aos pusilânimes


Se vós não fôsseis os pusilânimes,
recordaríeis os grandes sonhos
que fizestes por esses campos,
longos e claros como reinos;
contaríeis vossas conversas
nos lentos caminhos floreados,
por onde os cavalos, felizes
com o ar límpido e a lúcida água,
sacudiam as crinas livres
e dilatavam a narina,
sorvendo a úmida madrugada!


Se vós não fôsseis os pusilânimes,
revelaríeis a ânsia acordada
à vista dos córregos de ouro,
entre furnas e galerias,
sob o grito de aves esplêndidas,
com a terra palpitante de índios,
e a vasta algazarra dos negros
a chilrear entre o sol e as pedras,
na fina aresta do cascalho.
Também pela vossa narina
houve alento de liberdade!


Se vós não fôsseis os pusilânimes,
confessaríeis essas palavras
murmuradas pelas varandas,
quando a bruma embaciava os montes
e o gado, de bruços, fitava
a tarde envolta em surdos ecos.
Essas palavras de esperança
que a mesa e as cadeiras ouviram,
repetidas na ceia rústica,
misturadas à móvel chama
das candeias que suspendíeis,
desejando uma luz mais vasta.


Se vós não fôsseis os pusilânimes,
hoje em voz alta repetiríeis
rezas que fizestes de joelhos,
- súplicas diante de oratórios,
e promessas diante de altares,
suspiros com asas de incenso
que subiam por entre os anjos
entrelaçados nas colunas.
Aos olhos dos santos pasmados,
para sempre jazem abertos
vossos corações, - negros livros.


Mas ai! fechastes vossas janelas,
e os escaninhos de móveis e almas...


Escrevestes cartas anônimas,
apontastes vossos amigos,
irmãos, compadres, pais e filhos...
Queimastes papéis, enterrastes
o ouro sonegado, fugistes
para longe, com falsos nomes,
e a vossa glória, nesta vida,
foi só morrerdes escondidos,
podres de pavor e remorsos!


Vistes caídos os que matastes,
em vis masmorras, forcas, degredos,
indicados por vosso punho,
por vossa língua peçonhenta,
por vossa letra delatora...
- só por serdes os pusilânimes,
os da pusilânime estirpe,
que atravessa a história do mundo
em todas as datas e raças,
como veia de sangue impuro
queimando as puras primaveras,
enfraquecendo o sonho humano
quando as auroras desabrocham!


Mas homens novos, multiplicados
de hereditárias, mudas revoltas,
bradam a todas as potências
contra os vossos míseros ossos,
para que fiqueis sempre estéreis,
afundados no mar de chumbo
da pavorosa inexistência.
E vós mesmos o quereríeis,
ó inevitáveis criminosos,
para que, odiados os malditos,
pudésseis ter esquecimento...


Chega, porém, do profundo tempo,
uma infinita voz de desgosto,
e com o asco da decadência,
entre o que seríeis e fostes,
murmura imensa: “Os pusilânimes!”
“Os pusilânimes!” repete
o breve passante do mundo,
quando conhece a vossa história!


Em céus eternos palpita o luto
por tudo quanto desperdiçastes...
“Os pusilânimes!” – suspira

Deus. E vós, no fundo da morte,
sabeis que sois – os pusilânimes.
E fogo nenhum vos extingue,
para sempre vos recordardes!

Ó vós, que não sabeis do Inferno,
olhai, vinde vê-lo, o seu nome
é só – pusilanimidade.


Cecília Meireles
Melhores Poemas
Global Editora – edição 1997