Há mais de uma semana sem saber o que falar sobre o capítulo dezenove do livro de Mateus, resolvo falar de quando Jesus confronta nosso ego. O capítulo começa com Jesus curando o povo que o seguia. A história de Jesus mostra seu amor, sua compaixão e sua misericórdia por nós. Jesus é manso e humilde de coração, com autoridade e amor ele ensina, mas o bom amigo e o bom mestre não tem medo de nos frustrar e apresenta ensinamentos que são bem difíceis de digerir.
Jesus bate na porta da nossa vida, da nossa alma , do nosso Espírito, nós o recebemos na sala, e começamos a conhecê-lo, achamos a pessoa maravilhosa, sentimos algo indescritível na sua presença, até que ele começa a trazer algumas idéias difíceis de tragar.
O casamento é uma delas, "...O que Deus uniu não separe o homem" ( Mt19.6), e o desapego dos bens materiais é outra: "...Se queres ser perfeito, vai, vende tudo o que tens e dá-o aos pobres, e terás um tesouro no céu; e vem, e segue-me".
( Mt19.21)
É sempre bom ter os discípulos por perto, eles são bem parecidos conosco, não entendem, são incrédulos e expressam exatamente o que muitos de nós pensamos. Sobre o casamento ficaram espantados por Jesus dizer que o homem não deve dar carta de divórcio à mulher, portanto deve permanecer unido por toda a vida, tal foi o espanto dos nossos conservos: " Disseram-lhe seus discípulos: Se assim é a condição do homem relativamente à mulher, não convém casar "( Mt 19.10).
Mais adiante sobre o jovem rico ficaram todos impressionados, eu imagino que o rapaz parecia ser tão bom, tipo da pessoa carismática, educada, mansa, mas Jesus com seu raio x de coração e alma vendo o profundo e a verdade do jovem rico, o confrontou com aquilo que não poderia fazer, dar tudo aos pobres e segui-lo, com isso Jesus retoma o ensinamento sobre as riquezas deste mundo, dizendo ser impossível um rico entrar no Reino de Deus."Os seus discípulos, ouvindo isto, admiraram-se muito, dizendo: Quem poderá pois salvar-se?"(Mt 19.25).
O que Deus quer nos mostrar com sua Palavra, é justamente nossa natureza falha, o jovem rico almejava a perfeição, fez tudo o que pode, chegou a Jesus na convicção da bondade do Mestre, porém Jesus pergunta "... Por que me chamas bom? Não há bom senão um só, que é Deus. Se queres, porém, entrar na vida, guarda os mandamentos." ( Mt 19.17)
O jovem rico fica muito triste, porque se achava bom, e se achava perfeito, mas Jesus fez ele perceber que ele não sabe o que é bondade, e que ele não era perfeito.
A boa nova disso tudo? O homem com sua maldade e dureza de coração não poderá salvar_se, mas para Deus nada é impossível.
Refleti tanto sobre o casamento essa semana, e vi que não somos bons nem mesmo para com a pessoa que escolhemos para formar uma família. Dizem que parente nós não escolhemos, pois bem, hoje em dia muitos podem escolher seus cônjuges, mas é paixão um dia, falta de respeito no outro. Quem disse que o homem ama a mulher como Cristo amou a igreja? E quem disse que a mulher respeita o marido? Se assim for será perfeito mas
não costuma acontecer assim. Por conta da nossa maldade a tragédia do casamento traz ao casal e aos filhos dias terríveis, pesadelos sem fim, "mas no início não foi assim (Mt19.8)", e não foi para isso que Deus nos uniu.
A união serve para o amor, para o perdão, para o cuidado mútuo e Jesus fala que se separamos esse vínculo sagrado somos adúlteros, pecadores, e se Moisés permitiu o divórcio foi por causa da dureza dos corações, mas no início da criação não foi assim, não é esse o propósito de Deus.
Sozinhos muitos não conseguem ficar, e unidos não se amam!
A Palavra vem para nos mostrar que não somos tão bons quanto imaginávamos ser, e por isso salvar a si mesmo será para o homem impossível, mas para Deus nada é impossível, somente Ele é bom como afirmou Jesus, e pela história da Bíblia, por amor e de graça Ele almeja nos fazer santos e para com Ele viver eternamente.



